NOVIDADES 08.JUL.2015

30 anos de Rede SIM

No mesmo ano em que se comemora os 140 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, a SIM Rede de Postos festeja o seu trigésimo aniversário.

No mesmo ano em que se comemora os 140 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, a SIM Rede de Postos festeja o seu trigésimo aniversário. A empresa foi fundada em 12 de outubro de 1985, em Flores da Cunha, na Serra gaúcha, região conhecida pela forte influência do trabalho e empreendedorismo dos imigrantes. Para relembrar a data, a Via SIM publica, a partir desta edição, uma série de matérias sobre a trajetória da SIM. E inicia contando a história do pai dos fundadores da SIM, Deunir e Neco Argenta.


A lição do patriarca

Luis Carlos e Clorinda Argenta, pais dos fundadores da SIM, em 1982, com o neto Cristiano Argenta Soares no colo.


Luiz Carlos Argenta era dono de uma barbearia em Flores da Cunha em meados dos anos sessenta, no século passado. A população não passava de oito ou dez mil pessoas. A barbearia de Argenta era um dos pontos de encontro dos moradores. Cortavam cabelo, aparavam barba, ficavam informados sobre os principais acontecimentos do dia. Do manejo da tesoura e da habilidade com a lâmina de barbear, Argenta retirava o sustento da família. Os Argenta eram humildes. À mesa não faltava o pão, mas não havia fartura. A casa, na Avenida 25 de Julho, estava assim dividida: nos cômodos dos fundos residiam a esposa, Clorinda, e os três filhos, Diva, Deunir e Itacir. Na frente, funcionava o estabelecimento. Para completar a renda, os filhos ajudavam desde cedo.


Adolescente, Deunir montava caixas de madeira para acondicionar uvas e empalhava garrafões de vinho para vinícolas. Depois, fez curso técnico em contabilidade e empregou-se em um escritório para desconsolo do pai, que o queria na barbearia.

– Como autônomo, ganharás mais do que como empregado – ensinava a Deunir.

O filho ficava atento o observando e aprendeu com precisão a fazer a própria barba com a navalha, porque Luiz não admitia que usasse gilete. O que fascinava Deunir era ver a habilidade com que o aquele homem alto e magro conduzia os negócios. À porta da barbearia, Luiz vendia queijo e outros produtos coloniais para os clientes.

– Era a maneira como ele conduzia essas transações o que mais me chamava a atenção. Apesar do pouco estudo e da pequena infra-estrutura da cidade na época, ele tinha veia empresarial – diz o filho mais velho.

Os irmãos empreendedores Neco e Deunir Argenta.


Aos oito anos, Itacir, cujo apelido Neco, dado por um vizinho, mais tarde seria incorporado ao próprio nome, recolhia nas ruas jornais, vidro e ferro para vender. O lucro obtido era repassado a Luiz Argenta e retornava ao bolso de Neco em forma de mesada, sob uma condição. Aos domingos, a família assistia à missa. Luiz acordava a tempo de ouvir o primeiro sermão do padre, às seis e meia da manhã. Os filhos iam às nove horas e trinta minutos. Como todo bom católico praticante Luiz sabia que o tema do sermão dominical era o mesmo. Por isso, quando Neco retornava da Igreja, ao meio-dia, precisava repetir ao pai as palavras do pároco. Depois de ouvir, Luiz retirava algumas notas de dinheiro e entregava ao filho mais novo. Estava cumprida a condição. Estava paga a mesada. Com ela, Neco comprava a entrada do cinema e um chocolate laka.


Só muitos anos mais tarde Neco haveria de compreender a importância daquele gesto. Era o senso de responsabilidade e de cumprimento de horários e compromissos a lição que o patriarca dos Argenta buscava transmitir. Luiz não viveu o suficiente para testemunhar o aprendizado dos filhos. Morreu em setembro de 1985.

Acostumado a viajar por todo o país Neco, supervisor de vendas da Móveis Florense, não titubeou ao ouvir o pedido do irmão mais velho:

– Fique aqui. A mãe precisa de nós dois juntos – disse Deunir.


Deunir, então secretário-executivo da Associação Gaúcha de Vitivinicultura, e Neco que pediu demissão de seu emprego na Florense, fundaram a Ditrento, rebatizada de Rede SIM de Postos em novembro de 2012. A empresa cresceu e tornou-se referência em seu segmento tendo como norte as diretrizes morais e éticas nas relações pessoais e de trabalho que Luiz Carlos Argenta sempre cultivou e defendeu.

Era 12 de outubro de 1985.

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